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Abordagem intergeracional das experiências adversas na infância: mecanismos envolvidos no impacto na saúde mental das crianças

Abordagem intergeracional das experiências adversas na infância: mecanismos envolvidos no impacto na saúde mental das crianças

Barbosa, Ana Margarida Macedo

| 2026 | URI

Diversos

As Experiências Adversas na Infância (ACEs) são eventos prejudiciais ou angustiantes ocorridos na infância, com impacto na saúde física e mental. Estudos demonstram uma continuidade intergeracional das ACEs vivenciadas por pais e filhos, apontando para um efeito em cascata. Apesar das consequências deletérias das ACEs, a resiliência é um processo dinâmico que permite superar desafios e promover um desenvolvimento saudável. Neste estudo pretendeu-se averiguar a relação entre as ACEs das figuras parentais e a ocorrência de perturbação psicológica nas crianças, bem como analisar o papel da resiliência parental e das ACEs das crianças nesta relação. Embora as ACEs das figuras parentais não se tenham correlacionado diretamente com a ansiedade nas crianças, observou-se uma relação positiva entre as ACEs parentais e das crianças, indicando uma transmissão intergeracional. Crianças com maior exposição a ACEs apresentaram mais sintomas de ansiedade. A resiliência parental emergiu como um fator protetor significativo, sendo que pais mais resilientes reportaram menos ansiedade e ACEs nas crianças, independentemente das suas próprias ACEs. Contudo, não se verificou um efeito de moderação da resiliência parental. A melhoria dos cuidados responsivos e o fortalecimento de recursos protetores são essenciais para fomentar a resiliência, mitigando os riscos das ACEs na saúde mental infantil.
Adverse Childhood Experiences (ACEs) are harmful or distressing events that occur in childhood and have an impact on physical and mental health. Studies show an intergenerational continuity of ACEs experienced by parents and children, pointing to a cascading effect. Despite the deleterious consequences of ACEs, resilience is a dynamic process that allows us to overcome challenges and promote healthy development. The aim of this study was to investigate the relationship between parental ACEs and the occurrence of psychological disorders in children, as well as to analyze the role of parental resilience and children's ACEs in this relationship. Although parental ACEs weren’t directly correlated with anxiety in children, a positive relationship was observed between parental and children's ACEs, indicating intergenerational transmission. Children with greater exposure to ACEs had more anxiety symptoms. Parental resilience emerged as a significant protective factor, with more resilient parents reporting less anxiety and ACEs in children, regardless of their own ACEs. However, there was no moderation effect of parental resilience. Improving responsive care and strengthening protective resources are essential for fostering resilience, mitigating child mental health risks.

Publicação

Ano de Publicação: 2026

Identificadores

ISSN: 204049962

ISBN: urn:tid:204049962