Análise do processamento emocional numa amostra de pessoas ofensoras em reclusão com traços psicopáticos
Moreira, Inês Maria Casimiro
Diversos
A relação entre psicopatia e processamento emocional tem sido amplamente estudada. O objetivo principal deste estudo foi perceber se existem diferenças no processamento emocional em pessoas com maior e menor propensão psicopática. A amostra incluiu 137 participantes do sexo masculino em reclusão, com uma média de idades de 38.49 anos. Os instrumentos utilizados foram o questionário Sociodemográfico e Jurídico-penal, o International Affective Picture System (IAPS), o Self-Assessment Manikin (SAM) e o Self-Report Psychopathy Scale-Short Form (SRP-SF). Os resultados revelaram que a maioria dos participantes demonstrou baixa propensão psicopática. Os reclusos com maior propensão psicopática apresentaram respostas emocionais inferiores no domínio da valência, ao visualizar imagens agradáveis, mas semelhantes no domínio da excitação, em comparação aos de menor propensão. Não houve diferenças entre os grupos no domínio da dominância para as imagens desagradáveis, nem nos três domínios para as imagens neutras. Verificou-se ainda que as facetas interpessoal e afetiva da psicopatia se correlacionaram significativamente com os domínios emocionais nos indivíduos com maior propensão psicopática. Este estudo realça a importância de compreender a relação entre a psicopatia e o processamento emocional de modo a elaborar planos de intervenção mais adequados, que promovam a capacidade de reconhecimento e expressão emocional destes indivíduos.
The relationship between psychopathy and emotional processing has been widely studied. The main objective of this study was to determine whether there are differences in emotional processing between individuals with higher and lower psychopathic propensity. The sample included 137 male inmates, with an average age of 38.49 years. The instruments used were the Sociodemographic and Legal-Criminal Questionnaire, the International Affective Picture System (IAPS), the Self-Assessment Manikin (SAM), and the Self-Report Psychopathy Scale-Short Form (SRP-SF). The results revealed that most participants demonstrated low psychopathic propensity. Inmates with higher psychopathic propensity showed lower emotional responses in the valence domain when viewing pleasant images, but similar in the arousal domain when compared to those with lower propensity. There were no differences between the groups in the decrease in dominance for unpleasant images, nor in the three domains for neutral images. It was also found that the interpersonal and affective facets of psychopathy correlate significantly with the emotional domains in individuals with a greater psychopathic propensity. This study highlights the importance of understanding the relationship between psychopathy and emotional processing in order to develop more appropriate intervention plans that promote the capacity for emotional recognition and expression in these individuals.