Entre números e palavras: o impacto da exposição precoce ao inglês na resolução de operações aritméticas
Andrade, Luana Rafaela Pereira
Tese
Dissertação de mestrado integrado em Psicologia
A exposição a uma segunda língua (L2) afeta não apenas o processamento linguístico, mas toda a
cognição. Este trabalho analisa o impacto que a exposição ao inglês como L2 pode ter na cognição
numérica de crianças do 1º ciclo do Ensino Básico português que foram expostas ao inglês como L2
desde a creche vs desde o pré-escolar. Às crianças foi pedido que realizassem operações de adição e
subtração simples e complexas em português (língua nativa, L1) e inglês (L2) da forma mais rápida e
precisa possível. Os resultados indicaram que os alunos foram mais rápidos e precisos a resolverem
operações na L1 do que na L2 (especialmente operações simples), e que embora as crianças da creche
tenham sido mais precisas do que as crianças do pré-escolar nos dois idiomas, essa diferença só se
revelou marginalmente significativa. Em todo o caso, o efeito de interação língua*grupo nos dados de
latência revelou que os efeitos de língua só se observaram nas crianças da creche (com estas a serem
mais rápidas na L1 do que na L2) o que parece decorrer do facto destas terem enfrentado a tarefa num
modo bilingue e não monolingue como parece ter sido o caso das do pré-escolar.
The exposure to a second language (L2) affects not only linguistic processing but also cognition as a
whole. This study examines the impact that exposure to English as an L2 may have on the numerical
cognition of children in the first cycle of Portuguese Basic Education, who have been exposed to English
as an L2 since either early childhood (daycare) or preschool. The children were asked to perform simple
and complex addition and subtraction operations in both Portuguese (native language, L1) and English
(L2) as quickly and accurately as possible. The results indicated that the students were faster and more
accurate in solving operations in L1 compared to L2 (especially simple operations). Although children in
daycare were more accurate than preschool children in both languages, this difference was only
marginally significant. Nevertheless, the interaction effect between language*group in the latency data
revealed that the language effects were only observed in children from daycare (with these being faster
in L1 than L2), which seems to stem from the fact that they approached the task in a bilingual mode,
unlike the preschool children, who appeared to perform in a monolingual mode.