Exposição a acontecimentos potencialmente traumáticos: comparação entre adolescentes da comunidade e adolescentes em risco
Rodrigues, Mariana Dias
Miscellaneous
A infância e a adolescência são períodos de elevada vulnerabilidade a acontecimentos potencialmente
traumáticos (APT), cujos impactos podem comprometer o desenvolvimento saudável. Apesar da
relevância do tema, em Portugal não existem estudos que comparem adolescentes em comunidade
com aqueles considerados em risco.
Este estudo teve como objetivo analisar diferenças na exposição a APT entre um grupo de
adolescentes da comunidade e um grupo de adolescentes constituído por jovens acompanhados pelos
serviços de proteção, institucionalizados ou a frequentar escolas profissionais, esperando-se que os
jovens da comunidade se diferenciem do grupo de risco por relatarem menos eventos com potencial
traumático. Participaram 583 adolescentes com idades entre 13 e 16 anos (comunidade: 343;
risco: 240), que responderam a um questionário sociodemográfico e ao
(TESI), instrumento de autorrelato que avalia a exposição a eventos interpessoais
e não interpessoais. Foram aplicadas análises descritivas e, face à não normalidade dos dados,
utilizados testes estatísticos não paramétricos (Mann-Whitney U e Qui-Quadrado).
Os resultados não revelaram diferenças significativas quanto à exposição global a APT nem
relativamente a acontecimentos interpessoais e não interpessoais, embora a análise de itens
individuais tenha indicado variações específicas entre os grupos. Os resultados contribuem para
informar políticas de saúde mental e estratégias de intervenção adaptadas ao contexto de cada
adolescente.
Childhood and adolescence are periods of heightened vulnerability to potentially traumatic events
(PTEs), whose impacts can compromise healthy development. Despite the relevance of this topic, in
Portugal there are no studies comparing adolescents in the community with those considered at risk.
This study aimed to analyze differences in exposure to PTEs between a group of community
adolescents and a group composed of youth under child protection services, institutionalized, or
attending vocational schools, with the expectation that community adolescents would differ from the
at-risk group by reporting fewer potentially traumatic events.
A total of 583 adolescents aged 13 to 16 years participated (community: 343; at-risk: 240),
completing a sociodemographic questionnaire and the Trauma Events Screening Inventory (TESI), a
self-report instrument that assesses exposure to interpersonal and non-interpersonal events.
Descriptive analyses were conducted, and due to non-normality of the data, non-parametric statistical
tests (Mann-Whitney U and Chi-Square) were applied.
The results revealed no significant differences in overall exposure to PTEs or in exposure to
interpersonal or non-interpersonal events, although the analysis of individual items indicated specific
variations between groups. These findings contribute to informing mental health policies and
intervention strategies tailored to the context and experiences of each adolescent.