“Não há planeta B!”: Agência dos adolescentes face às alterações climáticas – Relatório de Divulgação de Resultados do Projeto
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Nas últimas décadas, têm-se multiplicado os apelos à ação urgente de todos os cidadãos para mitigar as alterações climáticas. Capacitar os jovens para combater as alterações climáticas é particularmente relevante, uma vez que, ao longo da vida, estarão potencialmente mais expostos aos seus impactos do que as gerações adultas atuais. Neste desafio, a educação é um elemento-chave para envolver os jovens na ação climática. Em Portugal, o Ministério da Educação, em geral, e as escolas, em particular, têm envidado esforços nesse sentido. Contudo, pouco se sabe sobre como os adolescentes estão envolvidos na mitigação das alterações climáticas e sobre a influência dos contextos em que se inserem.
O projeto “Não há planeta B!”: Agência dos adolescentes face ao problema das alterações climáticas, teve como objetivo contribuir para colmatar esta lacuna, explorando os modos e fontes de agência dos adolescentes para mitigar as alterações climáticas, assim como os fatores pessoais e ambientais que contribuem para essa agência. Neste projeto participaram alunos do 7.º ao 12.º ano de escolaridade e outros informantes-chave da comunidade educativa (i.e., diretores escolares e professores de diversas disciplinas). Foram realizados três estudos centrados no(a): i) mapeamento da ação climática reportada por adolescentes, bem como dos seus determinantes, à luz da teoria da agência humana, ii) mapeamento das iniciativas ambientais das escolas, das práticas de ensino sobre as alterações climáticas e do seu impacto nos adolescentes, reportado por diferentes agentes da comunidade educativa, iii) análise estatística dos fatores pessoais e
ambientais que explicam os três modos de agência climática dos adolescentes. Neste relatório, apresentam-se os resultados de maior relevância para o contexto educativo e para a tutela.
Apesar de o tópico das alterações climáticas ser abordado em diversas disciplinas, os adolescentes revelaram ter um conhecimento superficial sobre as alterações climáticas e baixa agência climática. Os estudos deste projeto, no seu conjunto, indicaram diversos fatores de ordem pessoal e contextual que podem ajudar a explicar estes resultados.
As conclusões deste projeto apontam para a importância de reavaliar as iniciativas ambientais e as práticas de ensino sobre as alterações climáticas nas escolas, considerando o papel central da educação na promoção do conhecimento, do envolvimento e da ação dos adolescentes. No seu conjunto, os resultados oferecem pistas relevantes para potenciar o impacto da educação ambiental na formação de jovens mais preparados para combater o desafio climático atual. Neste sentido, apresentam-se algumas recomendações que poderão ser relevantes para a tutela, tendo em conta o seu papel no desenho de currículos, de referenciais e da Estratégia Nacional de Educação Ambiental em Portugal.
O projeto “Não há planeta B!”: Agência dos adolescentes face ao problema das alterações climáticas (https://doi.org/10.54499/PTDC/PSI-GER/1892/2021) foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e parcialmente desenvolvido no Centro de Investigação em Psicologia (CIPsi; PSI/01662), Escola de Psicologia, Universidade do Minho, financiado pela FCT (UID/01662/2025) através do Orçamento do Estado. O Centro encontra-se registado com o DOI: https://doi.org/10.54499/UID/01662/2025.