Making Meaning out of Schizophrenia: the relationship between cognition and self-assessed meaning in participants with Schizophrenia
Tirone, Cláudia
Miscellaneous
Apesar da extensa investigação sobre a esquizofrenia, permanecem questões relativas à sua etiologia, funcionamento e tratamento, modelos recentes de recuperação atribuem importância à experiência subjetiva das pessoas com esquizofrenia, destacando o significado percebido e a coerência das suas narrativas de vida.
Os mecanismos do processo de construção de significado não são claros. Não foi encontrado nenhum estudo que relacione a cognição com a construção de significado. Modelos conceituais relacionados, como a identidade narrativa, a metacognição e o insight, mostram associações com funções executivas e de memória. O objetivo deste estudo é compreender a correlação entre cognição (flexibilidade cognitiva, memória verbal e memória de trabalho) e integração biográfica, ou seja, a perceção de significado em relação à experiência de psicose.
Uma amostra de 51 indivíduos diagnosticados com esquizofrenia (código F20, CID-10), com idades entre 40 e 80 anos, foi avaliada quanto à flexibilidade cognitiva (erros perseverativos do Teste de Classificação de Cartas de Wisconsin), memória verbal (Associações Verbais Emparelhadas da Escala de Memória de Wechsler IV) e memória de trabalho (Digit Span inverso). Os participantes preencheram a subescala de integração biográfica do Questionário de Sentido Subjetivo na Psicose. Foi realizada uma regressão hierárquica controlando covariáveis demográficas e clínicas para avaliar se as variáveis cognitivas previam a integração biográfica.
Nenhuma variável cognitiva previu significativamente a integração biográfica, embora a flexibilidade cognitiva tenha mostrado uma tendência. O sexo foi o único preditor significativo, com as participantes do sexo feminino a reportarem uma maior perceção de significado. Os resultados sugerem que a cognição pode contribuir para a construção de significado, embora não seja suficiente por si só. Outros conceitos podem ser mais relevantes, como a metacognição. Em termos clínicos, devem ser consideradas as diferenças entre os sexos, bem como a necessidade de intervenções que ultrapassem a remediação cognitiva.
Despite extensive research on schizophrenia, questions regarding its aetiology, functioning and treatment remain. Recent recovery models place significant emphasis on the subjective experience of people with schizophrenia, highlighting perceived meaning and coherence of their life narratives.
The mechanisms of the meaning making process are not clear. No study was found linking cognition to meaning making. Related conceptual models, such as narrative identity, metacognition and insight, show associations with executive and memory functions. Therefore, the aim of this study is to understand the correlation between cognition (cognitive flexibility, verbal memory and working memory) and biographical integration, i.e., perceiving meaning in relation to their psychosis experience.
A sample of 51 individuals diagnosed with schizophrenia (ICD-10 code F20), aged 40 to 80, were assessed for cognitive flexibility (perseverative errors of the Wisconsin Card Sorting Test), verbal memory (Verbal Paired Associates of the Wechsler Memory Scale IV) and working memory (Digit Span Backwards). Participants completed the Biographical integration subscale of the Subjective Sense in Psychosis Questionnaire. A hierarchical regression controlling for demographic and clinical covariates was conducted to assess whether cognitive variables predicted biographical integration.
No cognitive variable significantly predicted biographical integration, although cognitive flexibility showed a trend. Sex was the only significant predictor, with females reporting higher perceived meaning. The results suggest that cognition may contribute but not suffice to explain meaning making. Other constructs may be more relevant, such as metacognition. Clinical implications are that sex differences should be considered, and that interventions beyond cognitive remediation may be warranted.