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O papel da depressão pós-parto na perceção de vinculação em mulheres com experiência(s) de violência obstétrica

O papel da depressão pós-parto na perceção de vinculação em mulheres com experiência(s) de violência obstétrica

Cachez, Mariana Vilas Boas

| 2025 | URI

Miscellaneous

A violência obstétrica refere-se a ações ou omissões praticadas por profissionais de saúde durante a gestação, parto, pós-parto ou aborto, que causam sofrimento físico, psicológico e/ou emocional. A literatura tem associado a violência obstétrica a prejuízos na saúde mental perinatal e na qualidade de vinculação materno-infantil. Assim, esta dissertação teve como objetivo principal compreender a relação entre a violência obstétrica, a depressão pós-parto e a perceção da vinculação materno-infantil pela progenitora, avaliando, adicionalmente, o possível papel mediador da depressão pós-parto. Participaram 194 mulheres com experiência(s) de gravidez e/ou tratamento(s) de fertilidade, tendo sido adotada uma abordagem metodológica quantitativa, de natureza transversal, com recurso a questionários de autorrelato. Os resultados evidenciaram uma prevalência de 68.0% de violência obstétrica e 62.4% de depressão pós-parto. A exposição à violência obstétrica associou-se a níveis mais elevados de sintomatologia depressiva no pós-parto e a uma perceção menos positiva da vinculação. Tipologias como “Cuidados Não Consentidos”, “Cuidados Não Confidenciais” e “Abuso Emocional” revelaram-se especialmente prejudiciais. Verificou-se, ainda, que a depressão pós-parto funciona como variável mediadora da relação entre a violência obstétrica e a perceção da vinculação, sugerindo que o impacto da violência obstétrica na relação mãe-bebé pode ser parcialmente explicado pelo sofrimento psicológico materno. Estes resultados sublinham a urgência de cuidados obstétricos humanizados e rastreios sistemáticos de saúde mental no pós-parto, que permitam uma intervenção precoce e integrada.
Obstetric violence refers to actions or omissions practiced by healthcare professionals during pregnancy, childbirth, postpartum or abortion that cause physical, psychological or emotional suffering. Previous studies have linked obstetric violence to impairments in postpartum mental health and the quality of the mother-infant attachment. Therefore, this dissertation aimed to understand the relationship between obstetric violence, postpartum depression and the mother's perception of the mother-infant attachment, further assessing the potential mediating role of postpartum depression. A total of 194 women with experience(s) of pregnancy and/or fertility treatment(s) participated in this study, which adopted a quantitative, cross-sectional methodological approach, using self-report questionnaires. The results indicated a prevalence of 68.0% for obstetric violence and 62.4% for postpartum depression. Exposure to obstetric violence was associated with higher levels of postpartum depressive symptoms and a less positive maternal perception of the mother-infant attachment. Specifically, “Non-Consented Care”, “Non-Confidential Care” and “Emotional Abuse” were found to be particularly harmful. Furthermore, postpartum depression was shown to mediate the relationship between obstetric violence and the perception of the mother-infant attachment, suggesting that the impact of obstetric violence on the mother-infant relationship may be partially explained by maternal psychological distress. These results highlight the urgent need for humanized obstetric care and systematic postpartum mental health screenings, enabling an early and integrated intervention.

Publicação

Ano de Publicação: 2025

Identificadores

ISSN: 204016959

ISBN: urn:tid:204016959