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Impacto intergeracional das experiências adversas: efeitos na saúde mental e nos processos de vinculação cuidador-criança

Impacto intergeracional das experiências adversas: efeitos na saúde mental e nos processos de vinculação cuidador-criança

Andrade, Ana Beatriz

| 2025 | URI

Miscellaneous

A violência doméstica constitui uma das formas mais prevalentes de violência, com impactos
significativos na saúde mental e no desenvolvimento emocional de crianças e cuidadores. Este estudo
teve como objetivo explorar o impacto da exposição à violência doméstica na saúde mental e na perceção
de vinculação em díades cuidadora-criança, analisando também a possível transmissão intergeracional
de experiências adversas. A amostra foi constituída por 56 díades, compostas por cuidadoras, vítimas
de violência doméstica, e pelos seus filhos/as (crianças e/ou adolescentes), acompanhados por
instituições de proteção a crianças e jovens e de proteção à vítima. A idade média das cuidadoras era de
40 anos (DP = 7.83) e a das crianças/adolescentes de 11 anos (DP = 2.88). Os resultados indicaram
níveis elevados de exposição à adversidade, níveis elevados de sintomatologia traumática, especialmente
nas cuidadoras, bem como discrepâncias significativas entre a perceção materna e filial dos estilos
parentais. Verificou-se uma correlação significativa entre as experiências adversas das cuidadoras na
idade adulta e as experiências das crianças na infância, sugerindo um padrão intergeracional. A violência
económica, psicológica e física associaram-se a níveis mais elevados de sintomatologia traumática das
cuidadoras e a perceções mais positivas da vinculação materna, apontando para possíveis mecanismos
compensatórios. Destaca-se ainda uma correlação negativa entre o suporte emocional percecionado
pelas crianças/adolescentes e todas as dimensões da vinculação reportadas pelas cuidadoras. Este
resultado aponta para uma dissociação significativa entre aquilo que as cuidadoras acreditam oferecer e
o que os/as filhos/as sentem efetivamente receber, podendo refletir representações parentais defensivas
ou idealizadas do vínculo em contextos de trauma cumulativo. Estes resultados sublinham a importância
de intervenções terapêuticas informadas pelo trauma, centradas na díade, que integrem a perceção
subjetiva de ambos os elementos da relação, promovendo vínculos seguros e contribuindo para a
interrupção dos ciclos intergeracionais da adversidade.
Domestic violence is one of the most prevalent forms of violence, with significant impacts on the mental
health and emotional development of children and caregivers. This study aimed to explore the impact of
exposure to domestic violence on mental health and the perception of attachment in caregiver-child dyads,
while also analyzing the possible intergenerational transmission of adverse experiences. The sample
consisted of 56 dyads, made up of caregivers, victims of domestic violence, and their children (children
and/or adolescents), accompanied by child and youth protection and victim protection institutions. The
average age of the caregivers was 40 years (SD = 7.83) and the average age of the children/adolescents
was 11 years (SD = 2.88). The results indicated high levels of exposure to adversity, high levels of
traumatic symptomatology, especially in female caregivers, as well as significant discrepancies between
maternal and filial perceptions of parenting styles. There was a significant correlation between caregivers'
adverse experiences in adulthood and children's experiences in childhood, suggesting an
intergenerational pattern. Economic, psychological and physical violence were associated with higher
levels of traumatic symptoms among caregivers and more positive perceptions of maternal attachment,
pointing to possible compensatory mechanisms. There was also a negative correlation between the
emotional support perceived by the children/adolescents and all the dimensions of attachment reported
by the caregivers. This result points to a significant dissociation between what the caregivers believe they
offer and what the children feel they receive, which may reflect defensive or idealized parental
representations of the bond in contexts of cumulative trauma. These results underline the importance of
trauma-informed, dyad-centered therapeutic interventions that integrate the subjective perception of both
elements of the relationship, promoting secure bonds and contributing to the interruption of
intergenerational cycles of adversity.

Publicação

Ano de Publicação: 2025

Identificadores

ISSN: 204013410

ISBN: urn:tid:204013410