Parentificação em núcleos monoparentais de mães divorciadas em Portugal: um estudo multi-caso
Almeida, Nathan Benhke de
Diversos
A parentificação, fenómeno em que uma criança ou jovem assume papéis que não são
adequados para o seu desenvolvimento físico ou psicológico dentro da sua dinámica familiar, pode ter
efeitos significativos no desenvolvimento emocional e psicológico das crianças, influenciando suas
relações futuras, bem-estar mental e sua vinculação com os seus progenitores. Este estudo multi-caso
realiza uma análise temática de dados recolhidos através de entrevistas semi-estruturadas com uma
amostra de dez mães divorciadas de cinco nacionalidades diferentes. Seus principais resultados
apresentam que a parentificação pode estar fortemente presente em contextos de maiores
necessidades socioeconómicas/logísticas do seio familiar e durante processos de
reorganização/estabilização do sistema familiar pós-divórcio, para além de que os possíveis impactos,
sejam positivos ou negativos, podem ser moderados por fatores como género, idade e contexto
etnocultural.
Conclui-se que, em núcleos monoparentais pós-divórcio, a parentificação deve ser avaliada
com cautela para impedir a patologização de seios familiares socialmente considerados normativos,
com consideração por estes fatores moderadores para uma tomada de decisão profissional, no caso da
prática da psicologia, mais ética e sustentada pela literatura científica.
Parentification, a phenomenon in which a child or young person assumes roles that are not
appropriate for their physical or psychological development within their family dynamic, can have
significant effects on children's emotional and psychological development, influencing their future
relationships, mental well-being, and their bond with their parents. This multi-case study conducts a
thematic analysis of data collected through semi-structured interviews with a sample of ten divorced
mothers of five different nationalities. Its main results show that parentification can be strongly present
in contexts of greater socioeconomic/logistical needs within the family and during post-divorce family
system reorganization/stabilization processes. Furthermore, the potential impacts, whether positive or
negative, can be moderated by factors such as gender, age, and ethnocultural context.
It is concluded that, in single-parent households after divorce, parentification should be
assessed cautiously to prevent the pathologization of socially normative family structures, considering
these moderating factors for professional decision-making, in the case of psychology, more ethical and
supported by scientific literature.