Uso problemático das Redes Sociais: caracterização, fatores associados e predição em jovens portugueses
Sembenelli, Breno
Diversos
Este estudo investigou o uso problemático das redes sociais (UPRS) em 314
estudantes universitários portugueses, com idades entre 18 e 30 anos, procurando
caracterizar os padrões de utilização e identificar fatores psicológicos,
comportamentais e psicopatológicos associados. Os participantes responderam a
questionários online que avaliaram impulsividade, evitamento experiencial, empatia,
sintomas psicopatológicos de ansiedade, depressão e estresse, e consumo de álcool
e outras substâncias. Cerca de 30 % dos estudantes apresentaram indicadores de
uso problemático das redes sociais, sobretudo entre os mais jovens, confirmando a
elevada integração das redes sociais no quotidiano desta faixa etária. Os resultados
mostraram que o seu intensivo de internet, a impulsividade atencional, a ansiedade, o
uso do telemóvel e o consumo de álcool são preditores significativos do UPRS,
enquanto o início mais tardio do uso das redes sociais e do consumo de álcool
funcionou como fator protetor. Curiosamente, um início mais precoce da utilização
geral da Internet revelou-se também protetor, possivelmente por favorecer a literacia
digital e uma maior autonomia no uso tecnológico. Estes achados sugerem que o
UPRS resulta da interação entre vulnerabilidades individuais (impulsividade,
ansiedade) e fatores contextuais (exposição digital, padrões de consumo), reforçando
a necessidade de estratégias de prevenção centradas na autorregulação emocional,
no uso consciente das tecnologias e na promoção da literacia digital desde idades
precoces.
This study investigated the problematic use of social media (PUSM) among 314
Portuguese university students aged between 18 and 30 years, aiming to characterize
usage patterns and identify associated psychological, behavioural, and
psychopathological factors. Participants completed online questionnaires assessing
impulsivity, experiential avoidance, empathy, psychopathological symptoms of anxiety,
depression and stress, as well as alcohol and substance use. Approximately 30% of
students showed indicators of problematic social media use, particularly among
younger individuals, confirming the strong integration of social media in the daily lives
of this age group. The results indicated that intensive internet use, attentional
impulsivity, anxiety, mobile phone use, and alcohol consumption are significant
predictors of PUSM, whereas a later onset of social media use and alcohol
consumption acted as protective factors. Interestingly, an earlier onset of general
internet use also emerged as a protective factor, possibly due to the development of
greater digital literacy and technological autonomy. These findings suggest that PUSM
results from the interaction between individual vulnerabilities (such as impulsivity and
anxiety) and contextual factors (such as digital exposure and consumption patterns),
reinforcing the need for prevention strategies focused on emotional self-regulation,
conscious technology use, and the promotion of digital literacy from early ages.