Formação da identidade e comportamentos problemáticos na adolescência
Magalhães, Fátima Gabriela Cunha
Diversos
Este estudo investigou a relação entre os processos de formação identitária e os comportamentos problemáticos de internalização e externalização numa amostra de 30 adolescentes portugueses (16-17 anos), utilizando o Modelo de Três Fatores (Crocetti et al., 2008). Através de uma abordagem mista que combinou entrevistas semiestruturadas e o questionário Youth Self-Report analisou-se como as dimensões identitárias- compromisso, exploração profunda e reconsideração do compromisso- se relacionaram com os sintomas de internalização e externalização. Os resultados revelaram que o compromisso emergiu como a dimensão mais saliente nas narrativas dos participantes, associando-se a maior estabilidade emocional e satisfação com as escolhas identitárias. A exploração profunda, embora importante para o desenvolvimento saudável, mostrou uma correlação significativa com os sintomas de internalização, sugerindo que quando excessiva, pode gerar sofrimento emocional. Particularmente relevante foi a descoberta de diferenças de género nos padrões identitários, enquanto os rapazes apresentaram maior associação entre a exploração profunda e mal-estar emocional, as raparigas demonstraram maior capacidade de conciliar a reflexão identitária com a manutenção de compromissos estáveis. Conclui-se que o modelo é válido para esta fase desenvolvimental, enfatizando o papel adaptativo, mas potencialmente desafiante, da exploração e reconsideração identitárias.
This study investigated the relationship between identity formation processes and problematic internalising and externalising behaviours in a sample of 30 Portuguese adolescents (aged 16–17), using the Three-Factor Model (Crocetti et al., 2008). Using a mixed approach that combined semi-structured interviews and the Youth Self-Report questionnaire, we analysed how the identity dimensions—commitment, deep exploration, and reconsideration of commitment—related to internalisation and externalisation symptoms. The results revealed that: commitment emerged as the most salient dimension in the participants' narratives, being associated with greater emotional stability and satisfaction with identity choices. Deep exploration, although important for healthy development, showed a significant correlation with internalisation symptoms, suggesting that when excessive, it can cause emotional distress. Particularly relevant was the discovery of gender differences in identity patterns, while boys showed a greater association between deep exploration and emotional distress, girls demonstrated a greater ability to reconcile identity reflection with maintaining stable commitments. It is concluded that the model is valid for this developmental stage, emphasising the adaptive but potentially challenging role of identity exploration and reconsideration.